domingo, 24 de maio de 2015

Verdes são os campos, Uxia


" Os portugueses estão a pagar pelas aventuras dos bancos alemães", Noam ChomsKy

Chomsky: "Os portugueses estão a pagar pelas aventuras dos bancos alemães"
Em entrevista à revista Sábado, o linguista norte-americano que visitou Portugal na semana passada ataca o "capitalismo distorcido" que faz os povos da periferia europeia pagarem pelos empréstimos arriscados dos bancos.
Foto Ministério da Cultura da Argentina/Flickr
"A crise em Portugal, Grécia, Espanha e outros países da periferia europeia é reveladora", afirmou Chomsky numa entrevista publicada esta quinta-feira na revista Sábado. "Se fossem aplicados os princípios básicos do capitalismo, eram os bancos alemães e de outros países do Norte que tinham de suportar a crise, pois concederam empréstimos de alto risco, com elevadas taxas de juro", acrescentou.
Para Noam Chomsky, que encheu na semana passada o auditório da Gulbenkian numa conferência universitária, "na Europa, os bancos conseguiram que os riscos que tinham assumido fossem suportados pelos Estados". Trata-se portanto de um "capitalismo distorcido", acusa o linguista: "Os portugueses estão a pagar as aventuras dos bancos alemães, que fizeram empréstimos arriscados".
A seguir à crise financeira, pouca coisa mudou, regista Chomsky. "Os últimos relatórios do FMI mostram que os bancos continuam a ter grandes lucros, sobretudo devido às políticas de isenção fiscal e subsídios diretos e indiretos dos governos", conclui.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

E na Europa toda a desobediência à ortodoxia será castigada, e aí estão os Gregos para o provar!

O capital já definiu há muito para os gregos: castigo ou rendição ás regras da ortodoxia liberal. Quem esperava uma Europa boazinha esquece que estes senhores não brincam. BCE e Comissão europeia aplicam a receita: "premiar" quem se porta bem e segue à risca o imposto, castigar quem ache que pode haver outro caminho. Por este caminho a mudança esperada vai levar mais tempo do que os ingénuos esperavam e vai ter de ser feita, por estranho que pareça... à direita com os movimentos independentistas na Inglaterra, ou com a sra sra Le Pen em França...

" Não são os políticos que não nos podem falhar, somos nós", Barcelona en Comú pode ganar eleições ( in Público,22 de Maio)

Reportagem

“Não são os políticos que não nos podem falhar, somos nós”


É uma candidatura que aproveita para dar voz a grevistas em comícios onde os candidatos ouvem mais do que falam. As sondagens dizem que a coligação de partidos e grupos de cidadãos Barcelona En Comú vai ser a mais votada em Barcelona.

Cartazes de Ada Colau e um apoiante nu comício em Barcelona JOSEP LAGO/AFP
 
Está a chover. Improvisa-se. A “praça” é o lugar natural desta candidatura, diz a mulher que a lidera, Ada Colau. Mas um centro cívico de um dos bairros menos privilegiados da cidade rica de Barcelona também não lhe fica mal. Há cadeiras, mas não são suficientes. Aparecem mais. Os voluntários pedem a quem está sentado que se aproxime do palco para que apareça espaço para mais filas. Certo. Quem não cabe encosta-se à parede ou fica mais ou menos à chuva no pequeno pátio interior do centro.
Há candidatos e há convidados. Vieram Ada Colau, cabeça de lista pela coligação Barcelona En Comú para o governo da capital catalã, Gerardo Pisarello, professor de Direito Constitucional e número dois da lista, e Esther López, que encabeça a candidatura no bairro de Poble Sec, parte do distrito de Sans-Montjuic, e onde nos encontramos.
Os convidados estão sentados na primeira filha: são técnicos de instalações e manutenção de empresas subcontratadas pela Movistar, a operadora que costumava chamar-se Telefónica. Estão em greve há 44 dias, uma greve nacional que lhes custou a decidir fazer, são precários e continuam a pagar segurança social sem receber um tostão. É uma greve que se nota quando alguém chama por um técnico para resolver um problema com a ligação de Net em casa, mas que tem estado completamente ausente das notícias.
Trazem os coletes de trabalho vestidos: nas costas lê-se Movistar e depois o nome da empresa subcontratada para que cada um trabalha – Confica, Abentes, quase uma diferente por técnico. Alguns colocaram a palavra “escravo” por baixo do nome da empresa.
No dia em que a candidatura Barcelona En Comú tinha um comício marcado para a Praça do Sortidor (abastecedor, fornecedor), os grevistas do Movistar foram os únicos a subir ao palco; os candidatos falaram encostados ao palco, à altura da assistência, e falou quem quis, aproximando-se e usando o mesmo microfone. Tal como acontecia nas assembleias semanais da Plataforma de Afectados pelas Hipotecas (PAH) de Barcelona, uma das primeiras do país, co-fundada por Ada Colau, que foi sua porta-voz durante cinco anos.
Aí, também faltavam cadeiras e no fim de cada encontro havia sempre alguém que pedia, a quem pudesse, que trouxesse cadeiras na semana seguinte. Aí, depois de falarem os membros da PAH, também havia uns momentos de silêncio até que alguém pedisse o microfone para partilhar a sua história, perguntar o que fazer, pedir ajuda. E, como nesta noite no centro cívico do Poble Sec, depois era difícil pôr fim ao encontro. Havia sempre quem se deixasse ficar, mais uma dúvida, mais um receio de quem estava ou julgava estar prestes a ficar sem casa.
Cidade rica e desigual
“Estamos numa cidade rica, com um orçamento de milhares de milhões de euros, uma Barcelona que posa arranjada para o turismo de luxo, mas onde a diferença entre os 10% mais ricos e os 10% mais pobres aumentou 40% nos últimos quatro anos”, diz Ada Colau, calças de ganga, T-shirt branca, casaco de malha cinzento largo.
Nesta cidade, capital da “província com mais despejos em todo o Estado espanhol”, há pessoas “sem água e sem electricidade, precários como os companheiros das empresas subcontratadas da Movistar que fazem turnos de 12 horas e levam para casa pouco mais de 300 euros limpos, muita gente que trabalha e não chega ao fim do mês”, continua a candidata. “Os recursos existem, estão é mal divididos. E sabemos que há 4600 famílias que não têm o que comer.”
Os candidatos não se alargam em discursos, querem dar a voz a quem veio em greve, a quem veio a querer saber como é que eles pensam resolver os problemas que cada um mais sente no quotidiano.
“Disseram-nos que a greve era ilegal, que nos iam despedir a todos, ameaçaram-nos, garantiram que nunca mais íamos conseguir trabalho em nenhuma empresa ligada à Telefónica”, descreve Pablo, porta-voz dos grevistas. Depois, emocionando-se, explica que vai fazer passar uma “caixa de resistência”, para que quem possa contribua e ajuda grevistas sem fundo de greve a continuar a sua luta.
Perder a vergonha
“Há dias muito difíceis, já passámos por muito, há companheiros que não têm nenhuma ajuda familiar. Já pedimos comida em supermercados, já fomos às universidades pedir um euro a cada estudante”, conta Pablo. “Mas também já perdemos a vergonha, sempre que alguém diz ‘o que estás a fazer é muito importante’, esse é um dia bom, que nos dá forças para aqueles em que nos apetece desistir.”
Quem veio ouvir Ada Colau emociona-se e há cada vez mais gente de dedo no ar, a querer falar. “Esperei 37 anos para ouvir um político dizer que há pessoas com fome e quero dizer-vos que há crianças com frio, eu vejo quando pedem para ficar perto do aquecimento porque chegam com frio de casa”, diz José, professor de uma escola primária. Agueda, de 40 anos, quer “partilhar a esperança, o ar bom que aqui se respira”, contando que chegou ao bairro no início do 15M e viu “como era possível sonhar e depois fazer acontecer”.

terça-feira, 19 de maio de 2015

30 anos de Cavaco e o país está como ele quer e gosta...

30 anos com este senhor de uma forma ou de outra a escavacar o país e de facto o país está mesmo como este senhor sonhou: sem produção de nada, a viver de turismo, as exportações a crescerem , o consumo interno pequeno e os jovens a emigrar... Este seria o sonho deste senhor? É minha convicção que sim só faltando novo acordo PS-PSD para ficar mais deleitado...Mas foi um povo que o elegeu...o nosso...