quinta-feira, 30 de julho de 2015

"Agora Portugal pode mais", um programa eleitoral para um Portugal que pode menos...

PSD/CDS Apresentou o seu Programa e auto congratula-se com os resultados obtidos. Estão felizes de facto e acham mesmo que conseguiram grandes resultados. Não falam dos 485 mil pessoas que saíram em 4 anos do país ( têm um programa de estágios para voltarem 40 pessoas, sim 40 não é gralha).
Mesmo as promessas pequenas  do PSD/CDS não são para cumprir, e o trabalhadores continuarão a pagar impostos à bruta. O desemprego real é bem maior que os 13 por cento, pois os estagiários e CEIS contam para efeitos de não estarem desempregados. Os portugueses continuarão a fugir. O PSD/CDS quer uma "saúde competitiva" ( neste programa)  termo ridículo de menino da JSD que escreveu neste Programa... e quer dar liberdade de "escolha" entre a saúde publica e privada, entre escola publica e privada, ou seja financiar privados com dinheiro publico. Sobre a Segurança Social sabemos o que querem: entregar milhões à gestão das seguradoras e bancos, é clarinho como água! Um caminho de pobreza e loucura que nos propõem...

Ir de bicicleta , ter estacionamento garantido e ainda poder trabalhar depois dos 70 anos: Não há gente com mais privilégios...

Resultado de imagem para parques gratuitos funcionário publicos bicicletaDe facto depois de terem tido o direito de poderem trabalhar mais uma hora por dia, de terem levado com prazer de vários cortes salariais, de serem chamados de madraços, chupistas, malandros, agora continuam a sua saga de privilégios loucos: Vão poder ter parques gratuitos se forem de bicicleta! Mais uma vez privilegiados. O povo ( ou parte dele) anti função p´´ublica já saliva de inveja e diz: porquê só eles, os beneficiados da função Pública? Isto já é uma decisão maravilhosa deste Governo, mas vem mais uma promessa: se o PSD/CDS forem governos os FPs podem trabalhar para além dos 70 anos se quiserem... Esta é mais uma medida de rejuvenescimento da Função Pública....E não é que o PSD/CDS pode mesmo ganhar? basta ir de  bicicleta...

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Portugal: o país do inevitável...

Imaginem senhores que vos diziam num país virtual: meus amigos só há duas soluções, ou votam no no BE ou votam no PCP rumo ao país socialista sonhado, bla, bla ,os trabalhadores e o povo em primeiro lugar, bla, bla... O que diriam muitos de nós? Que vos estavam a fazer engolir um programa ideológico, que havia outros caminhos , mais liberais, etc...
Ora eu digo o mesmo de tanta conversa de inevitabilidade entre voto PS ou PSD/CDS: estou cansado de me fazerem engolir a tanga da União europeia boazinha, do euro bomzinho , dos países que querem ajudar ( a entrerrar, digo) a Grecia e os países que ousem não seguir o mesmo caminho desastroso.
De facto é triste esta teoria das inevitabilidades, essencialmente porque agora é feita de medo: Ui olha o papão, ai de vocês que não aceitem ser pobres, vejam a Grecia, ficaram piores, se não querem ser pobres então vão ficar miseráveis.
Esta é a mensagem do PSD/CDS desejoso de mais quatro anos para poder destruir mais um pouco a fraca democracia que temos. E o PS vai por um caminho semelhante, feliz com a derrota do Governo grego e sua capitulação diz  o mesmo: cumprir o Tratado de forma "inteligente" ( o que será isto de forma inteligente?), não sair do formato UE para não levarmos com castigo tipo Grecia. É isto que condena o país o faz sangrar em 100 mil pessoas todos os anos a terem de optar por sair, e alguns têm emprego, mas fartaram-se contar os tostões. Aqui como nos países periféricos já todos perceberam o plano: colocar os países pequenos ao serviço dos grandes, Por isso a Alemanha vem buscar médicos à saída da nossa universidade , por isso fazem disto a sua colónia balnear. Nada tenho contra a Alemanha exepto contra a sua vontade de domínio que já por duas vezes desembocou em tragédia. Resta saber onde irá desembocar agora? Por isso tenham paciencia para a campanha eleitoral que aí vem e vá lá sejam poupados....

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Um calçado sino/português? ( empresas portuguesas exportam 18 milhões de calçado chinês)



 
 
É fácil , barato e não precisa de mão de obra portuguesa porque foram feitos na China. Assim se explica mais um sucesso das exportações portuguesas ( pelo menos destas). Somos espertos ou não?

Blue light, David Gilmour


Aprender com a derrota da Gecia , Jorge Bateira ( in blog Ladrões de bicicletas)


O governo grego afinal ajoelhou, melhor, rastejou e engoliu tudo o que se propunha eliminar quando foi eleito. Não mudou a UE, como prometeu. Não acabou com a austeridade e as privatizações, como prometeu. Não se libertou das equipas técnicas da troika dentro dos ministérios, como prometeu. E ainda não sabe o que pode obter quanto a um “alívio” da dívida pública. Em tempos manifestei o meu receio de que o Syriza não estivesse à altura do desafio que lançou à UE (“Germanização ou soberania?”). Infelizmente, os meus maiores receios confirmaram-se.

Confrontado com o Diktat do Eurogrupo, Alexis Tsipras e a maioria do seu governo alimentaram a ilusão de um possível “acordo honesto e vantajoso para as duas partes” e não se prepararam, nem prepararam o povo grego, para a ruptura no melhor momento. Quando convocou o referendo, Tsipras tinha a obrigação de aceitar o repto da direita e dizer ao povo grego que a experiência de longos meses de negociações falhadas o obrigava a concluir que um “não” implicava a provável expulsão de facto do euro através do BCE. O que se seguiu foi penoso e humilhante. Uma pesada derrota para a esquerda que ainda acreditava na mudança da UE por dentro, uma derrota que terá repercussões negativas nos resultados eleitorais do Podemos em Espanha.

Repare-se que Tsipras e Varoufakis sempre disseram que não punham em causa a participação da Grécia na zona euro. Rapidamente os seus interlocutores perceberam que tinham pela frente um adversário frágil (as divisões internas eram do domínio público), sem qualquer trunfo negocial. Como é possível que a direcção do Syriza tenha sido tão incapaz neste confronto vital? A explicação que encontro para este suicídio político remete para o enorme poder das ideias, em particular das ideologias. De facto, durante o processo negocial, Tsipras e a maioria do governo grego mantiveram intacto o seu europeísmo de esquerda. Esta ideologia tem raízes na cultura política do eurocomunismo, também dominante no que resta do Partido Comunista Francês e na esquerda europeia que ainda sonha com uma globalização progressista. Para estes sectores da esquerda, o fim do euro é “um retrocesso civilizacional”. Assim, a derrota do governo grego foi causada, em última instância, por uma cegueira ideológica que o impediu de perceber o significado do impasse em que caiu e de, a partir daí, mobilizar o povo grego para a aceitação das implicações últimas da recusa da austeridade.

Após a derrota, Tsipras e Tsakalotos já disseram que não havia alternativa à capitulação por falta de condições financeiras. Apesar das viagens a Moscovo, Putin terá falhado com o apoio financeiro de que os gregos precisariam para poderem bater com a porta. Também o apoio da China não se terá concretizado, pelo que, sem reservas em dólares, seria uma catástrofe sair do euro. De facto, quando permanecer no euro é uma preferência ideológica, tudo se converte em obstáculos intransponíveis para justificar uma inércia de meses e a evidente desorientação nos últimos dias. Em boa verdade, as contas externas gregas têm estado perto do equilíbrio, pelo que apenas seria necessária uma reserva de segurança para evitar problemas imprevistos no abastecimento de bens essenciais importados.

Jacques Sapir até deu algumas pistas para a constituição imediata dessa reserva (“Les conditions d’un "Grexit""), incluindo o adiantamento de 5 mil milhões pelo gasoduto russo em território grego, mas, como é evidente, o que mais escasseava no núcleo duro do governo era a vontade política de estar à altura do entusiasmo das classes mais desfavorecidas, que votaram “não”. Em vez de as convocar para irem juntos na recusa da austeridade até às últimas consequências, Tsipras converteu o grito soberano do “não” num humilhante “sim” a mais austeridade. Entretanto, alguma esquerda portuguesa já começou a explicar porque devemos continuar a apoiar Tsipras e o seu governo. Fica-lhe bem, mas infelizmente isso pode querer dizer que nada aprenderam com esta pesada derrota.