sexta-feira, 26 de junho de 2015

Quo Vadis, Europa ( Jorge Bateira)

Quo vadis, Europa?

O eixo Paris-Berlim já percebeu que esta crise tem de ser aproveitada para completar o projecto de Maastricht


A última etapa das negociações entre o governo grego e a troika deve ter eliminado as dúvidas dos europeístas que ainda mantêm os pés na terra. A insistência na austeridade, acompanhada de “reformas estruturais” que degradam o estado de bem-estar e impedem a saída da crise, tornou evidente que as “instituições internacionais” têm uma agenda política. Trata--se de formatar as sociedades europeias, de alto a baixo, pelos princípios de um neoliberalismo fanático, o ordoliberalismo inscrito nos tratados da UE.
O eixo Paris-Berlim já percebeu que esta crise tem de ser aproveitada para completar o projecto de Maastricht. A eleição do Syriza na Grécia e os resultados eleitorais do Podemos em Espanha, ambos à esquerda, aliados ao crescimento eleitoral da Frente Nacional em França e à entrada no governo de alguns países do Norte da Europa de partidos da direita críticos da zona euro, a que se juntou a eleição de um presidente eurocéptico na Polónia, constituem sinais claros de que o projecto europeu corre sérios riscos. Bruxelas está com medo do futuro.
Neste contexto, foi agora publicado um relatório dos cinco presidentes da UE, “Completing Europe’s Economic and Monetary Union”. Este propõe um aprofundamento da UEM visando responder ao risco de colapso do euro, que, agravado por uma possível saída do Reino Unido da UE, poria termo à aventura da construção dos Estados Unidos da Europa por pequenos passos. O documento é muito interessante e deve ser lido com atenção. Limito-me hoje a destacar o seu quadro conceptual porque ele permite perceber melhor por que razão as reivindicações do governo grego não podem ter acolhimento na UE.
O relatório mostra-nos como o quadro mental dos dirigentes, e da tecnoestrutura da UE, interage com a realidade social através dos óculos do neoliberalismo na sua versão alemã. Nele se diz que “o euro é uma moeda bem sucedida e estável” (início da p. 4). Estável? Até parece que os bancos europeus não foram profundamente afectados, nem houve resgates de bancos com dinheiro público por causa da sua participação activa no jogo do casino global. Ao contrário do que diz o relatório, a crise europeia não foi um “choque externo”, “uma tempestade” que atingiu o euro. A Alemanha investiu no sistema financeiro mundial o dinheiro ganho com os seus enormes excedentes comerciais e dessa forma deu um importante contributo para a bolha do crédito que explodiu nos EUA e depois na periferia da zona euro. No entanto, para os 5 presidentes foi um “choque externo” que tivemos de “absorver”.
Publicado na semana em que a elite europeísta anda com o credo na boca, por medo de um Grexit, o relatório perde toda a credibilidade quando invoca o sucesso do euro. Aliás, como é possível falar de sucesso e ao mesmo tempo reconhecer que há 18 milhões de de- sempregados na zona euro? Será isto apenas uma contrariedade de que agora se vão ocupar? Falemos com clareza: o euro foi um desastre social, sobretudo para a periferia, e isso deveria envergonhar os nossos dirigentes políticos, não fora a sua ideologia que tudo justifica e os interesses dos poderosos que servem.
Quanto à política orçamental, continuará por muito tempo no nível nacional, sempre limitada à acumulação de excedentes nos anos bons para serem gastos nos anos maus. Está excluído um orçamento federal significativo, entendido como instrumento de promoção do pleno emprego, o que se compreende porque não há um estado democrático europeu que o legitime. Por isso reconhecem que na periferia serão precisos “anos de consolidação para recuperar”. O relatório aponta explicitamente o mercado de trabalho, via redução de salários, como o substituto da taxa de câmbio para corrigir excessos de endividamento externo e por isso defende que deve ser ainda mais flexível (“flexible economies that can react quickly to downturns”). Talvez sem salário mínimo, sem subsídio de desemprego e com pouco poder sindical, como no início do século passado.
Finalmente, um salto qualitativo com a atribuição de poderes supranacionais ao comissário responsável pela supervisão e repressão dos desequilíbrios macroeconómicos, aliás inevitáveis numa “economia social de mercado”. Enfim, não difere muito do plano que a Alemanha tinha preparado para gerir a Europa após a vitória rápida que esperava alcançar na Grande Guerra (Jean-Pierre Chevènement, 1914-2014, L’Europe Sortie de l’Histoire?).
Economista, co-autor do blogue Ladrões de Bicicletas

Montepio Geral e Assembleias de associados escondidas...dos mutualistas

Mutualistas do Montepio aprovam mudança de estatutos do banco


Os associados do Montepio terão recebido uma carta deste senhor garantindo que tudo vai bem, que até há lucros de 9 milhões , etc, etc...do que não se fala é da transferência de 900 milhões de euros da Associação Mutualista para a caixa Económica nos últimos anos ( essa foi a única razão para o Montepio não ter recorrido às ajudas estatais)... Mas os associados que receberam uma carta de Tomás... questionam porque não nessa mesma carta não veio a convocatória para a Ass Geral de ontem... Porque será? as Assembleias Gerais são metidas num cantinho da net e claro quem participa na sua maioria são trabalhadores do Montepio ( chefias essencialmente, obedientes) que querem que se fale de tudo menos buraco em que se transformou esta instituição. Assim de mutualismo tem muito pouco e é mais um local onde alguns se enfiam para ter um tachito ou tachão... pois as remunerações destes administradores não são nada meigas...Posso estar enganado, mas ilusões mutualistas de serem muito amigos dos outros e solidários, bla, bla... esboroam-se pela mão desta gente...
Aguardemos mais notícias pelicanas com brevidade, numa casa onde a democracia foi mitigada ( termo muito usado por estes mutualistas de ocasião)

domingo, 21 de junho de 2015

Montepio: não vamos deixar o Tomás Correia calar a boca aos associados, participa na assembleia Geral de 25/6/2015



As assembleias Grais andam a ser escondidas dos sócios do Montepio, e fácil verificar. recebemos muitas cartas e correspondência mas porque não recebemos as convocatórias para a Assembleia Geral? Vão ao site do Montepio e tentem encontrar a convocatória de dia 25/6/2015... procurem bem está bem escondida. É hora dos sócios do Montepio participarem e se salvaguardarem.


http://www.eugeniorosa.com/Sites/eugeniorosa.com/Documentos/2015/Montepio2.pdf

A Felicidade, Tom Jobim e Vinicius de Morares


A teologia da pobreza segundo Papa francisco ( do Blog Banquete da Palavra)

A teologia da pobreza segundo o Papa Francisco
Atenção srs. governantes...
O Papa Francisco voltou a falar na última terça-feira sobre a pobreza na Casa Santa Marta, na habitual missa matinal. Há uma clarividência nas suas palavras que é desconcertante. A primeira leitura inspirou Francisco para falar da “teologia da pobreza” e observou que estas palavras provocam constrangimento. Muitas vezes, ouve-se dizer: “Mas este sacerdote fala demasiado de pobreza, este bispo fala de pobreza, este cristão, esta freira falam de pobreza… Mas são um pouco comunistas, não?” E ao invés, advertiu, “a pobreza está no centro do Evangelho. Se tirarmos a pobreza do Evangelho, nada se entenderia da mensagem de Jesus”. Podem ler de forma mais aprofundada sobre este assunto AQUI.
Porém, em 29 de outubro de 2014 já tinha feito um discurso luminoso sobre esta temática. Terra, casa, trabalho: estes foram os três pontos fundamentais em torno dos quais desenvolveu-se o longo e articulado discurso do Papa Francisco aos participantes do Encontro Mundial dos Movimentos Populares, recebidos esta terça-feira na Sala Antiga do Sínodo, no Vaticano. O Pontífice ressaltou que é preciso revitalizar as democracias, erradicar a fome e a guerra, assegurar a dignidade a todos, sobretudo aos mais pobres e marginalizados.
"Terra, tecto, trabalho. É estranho – disse –, mas quando falo sobre estas coisas, para alguns parece que o Papa é comunista. Não se entende que o amor pelos pobres está no centro do Evangelho." Portanto, acrescentou, terra, casa e trabalho são "direitos sagrados", "é a Doutrina social da Igreja". Podem ler mais sobre este assunto AQUI.
Neste sentido, Dom Hélder Câmara já tinha ensinado magistralmente: «Quando dou comida aos pobres, me chamam de santo. Quando pergunto porque eles são pobres, chamam-me de comunista». 
Esta realidade aconteceu com uma força muito grande por todo lado, no mundo inteiro. A nossa terra também não ficou imune a esta pobreza de espírito. Foram imensas as ocasiões que o poder político se serviu desta nomenclatura para rebaixar, insultar e distratar vários sacerdotes, porque de alguma forma tinham manifestado a sua discordância com as políticas seguidas e defendiam o nosso povo mergulhado na desgraça da pobreza. Ainda hoje, há muito boa gente por aí que sofre desta mesma síndroma. Umas das formas mais fáceis que encontra para fazer valer o seu querer, o seu poder, é diabolizando os comunistas e para desconsiderar algum adversário, considera-o comunista. Basta que se manifeste contra a pobreza e que pergunte reclame que luta que deve se travada politicamente contra esta desgraça social que tomou conta de uma porção enorme da nossa população.
 Estes dois momentos do Papa Francisco são esclarecedores e vêm mostrar que é preciso encetar outros caminhos, outras políticas para que a luta contra pobreza seja feita por toda a sociedade e que ninguém é campeão desta ou de outras causas que digam respeito ao bem comum. 
Por isso, cuidado com o seguinte. O Papa observou que não se vence "o escândalo da pobreza promovendo estratégias de contenção que servem unicamente para transformar os pobres em seres domésticos e inofensivos". Quem reduz os pobres à "passividade", disse, Jesus "os chamaria de hipócritas".  

sábado, 20 de junho de 2015

As regras (2015) das reformas antecipada

Depois de restringir o acesso às reformas antecipadas na Segurança Social em Abril de 2012, o Governo voltou a desbloquear, ainda que parcialmente, esta via em 2015.
Conheça as regras das reformas antecipadas
Entre Janeiro e Abril, a Segurança Social recebeu 4.335 pedidos de reforma antecipada, depois de o Governo ter desbloqueado parcialmente o acesso a este regime no início do ano. Dos cerca de quatro mil pedidos que já foram despachados, 1.359 acabaram por não ter luz verde dos serviços porque não cumpriam os actuais requisitos, indicam dados oficiais divulgados esta semana. Conheça as regras do regime em vigor.
Quem pode pedir pensão antecipada?
Em Abril de 2012, o Governo suspendeu genericamente o acesso às pensões antecipadas na Segurança Social, deixando esta via aberta apenas para desempregados e regimes específicos. Este ano, a situação mudou com um diploma publicado em Janeiro: a reforma antecipada - ou seja, antes dos 66 anos - passou a estar disponível também para trabalhadores do sector privado com mais de 60 anos idade e 40 de descontos. Esta condição apenas diz respeito ao regime da Segurança Social, já que, na Caixa Geral de Aposentações (função pública), o acesso às pensões antecipadas não foi suspenso e os trabalhadores continuam a poder abandonar o mercado de trabalho se aos 55 anos de idade contarem 30 de descontos.
Até quando dura este regime específico que abrange a Segurança Social?
O regime agora aplicável à Segurança Social é transitório e vigora em 2015. Em 2016, volta o modelo anterior ao congelamento. Poderão então pedir reforma antecipada os trabalhadores que aos 55 anos de idade já contem 30 de contribuições. Função Pública e Segurança Social voltarão assim a partilhar a mesma regra.
Que corte têm as reformas antecipadas?
Por um lado, as pensões antecipadas são sujeitas a uma redução de 0,5% por cada mês de antecipação face à idade legal de reforma, que este ano é de 66 anos mas que aumentará gradualmente no futuro. Em 2016, já se sabe que a idade de reforma vai corresponder a 66 anos e dois meses.
Além disso, ainda é preciso ter em conta o factor de sustentabilidade, que retira 13,02% ao valor das pensões antecipadas iniciadas ao longo de 2015.
Este factor também aumenta tendencialmente ao longo dos anos: quem pedir reforma antecipada em 2016, por exemplo, deve esperar uma redução superior. No caso da função pública, quem tiver pedido a pensão em 2013 mas só receba resposta dos serviços este ano, pode ver aplicado o factor de sustentabilidade de 2013 (4,78%).
Há forma de reduzir a penalização?
Sim. De acordo com o diploma que abrange a Segurança Social, a penalização é reduzida em quatro meses (o equivalente a 2%) por cada ano de descontos que exceda os 40 na data do pedido de pensão. Esta regra é mais penalizadora face à que vigorava antes da suspensão do regime.
Por outro lado, um diploma que vigora desde 2014 também já indica que a idade de reforma desce quatro meses por cada ano de descontos acima dos 40, com o limite de 65 anos: por exemplo, um trabalhador com 43 anos de descontos pode reformar-se aos 65 anos, sem cortes. Além disto, a idade de reforma continua nos 65 anos para trabalhadores legalmente impedidos de exercer actividade após essa idade (como pilotos e condutores de pesados).

sexta-feira, 19 de junho de 2015

O PCP tornado invisível pela comunicação Social, José Pacheco Pereira

O PCP tornado invisível pela comunicação social

por José Pacheco Pereira [*]
Marcha dos 100 mil. Esta semana, a chamada Marcha Nacional A Força do Povo, feita em nome da CDU, mas na realidade feita pelo PCP, juntou muitos milhares de pessoas em Lisboa. O assunto foi tratado de passagem nas televisões, sem grandes meios e cobertura apenas de circunstância, e na maioria dos casos "existiu" nas páginas interiores dos jornais, também quase por obrigação de agenda.

Eu conheço os argumentos de muitos jornalistas para não darem importância nenhuma (e por isso não noticiarem a não ser por obrigação, ou seja, mal) às manifestações do PCP, mas não me convencem. Não tem novidade, é o que é esperado, é sempre a mesma coisa, já sabemos que o PCP tem esta capacidade única de levar pessoas para a rua. Vêm de todo o País, vêm em centenas de autocarros, são os comunistas convencidos e mais umas franjas, não alteram nada da vida política. Atenção a este último argumento – não alteram nada – porque aí começamos a tocar no lado sensível e ideológico do objectivo desprezo com que estas manifestações são tratadas pela comunicação social. E não é o resultado de uma conspiração dos grandes interesses na comunicação social, muito colados à "situação" (também é, principalmente pelas escolhas das chefias), mas algo que vem das próprias redacções. Uma pequena iniciativa cultural na moda, que nem uma centena de pessoas junta, é muito mais bem tratada.

Há muitas razões de ordem geracional, cultural, de vida, de mentalidade do meio, da precariedade que se vive nas redacções para justificar esta falta de interesse. Mas que o mundo que desfila em Lisboa, à torreira do sol, feito de gente com causas bizarras como os baldios, não interesse a uma jornalista de vinte e poucos anos, saída de uma escola de comunicação social, estagiária, mas na prática desempregada, que não sabe o que é um sindicato, detesta greves e do mundo conhece o que vem na Time Out , percebe-se. O que não se percebe é que na sua redacção não se vá mais longe e se perceba que "aquilo" no Portugal dos dias de hoje é mais excepcional do que parece, "aquilo" implica mais esforço e cidadania do que andar horas a discutir a migração de treinadores entre clubes, como se o mundo estivesse parado nessa logomaquia futebolística.

"Aquilo" é o outro Portugal que não tem nada a ver com os salamaleques do "meu caro Pedro", "meu caro Paulo", muito mais bem tratados do que a vida de centenas de milhares de pessoas invisíveis porque não são o "arco da governação certo", do País "europeísta", da classe social certa. "Aquilo" é uma parte da sociedade portuguesa que existe e que protesta, e que se não protestasse não existia para ninguém. Eles são parte da economia  expendable  dos nossos tecnocratas, a mesma que impede a jovem jornalista de conhecer mais mundo, ter sido mais bem preparada na escola, e ter um emprego conforme as suas qualificações. Um emprego e não um estágio. E que, a seu tempo, pode precisar do seu sindicato e, imagine-se, ter de fazer greve e protestar. Nesse dia, ela perceberá melhor a condição das pessoas que ali estão a protestar, podendo até ela ser… do PSD, do PS ou de nada.
12/Junho/2015

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Militares à porta das escolas ( O Banquete da Palavra, dia 16/6/2015)

Militares à porta das escolas

É muita verdade que as crianças, os adolescentes e os jovens de hoje andam sempre muito cansados. Qualquer tarefa por mais pequena que seja os cansa sobremaneira. Costumamos dizer que estes jovens nasceram cansados. Mas, pronto. Devem ser acolhidos e amados assim mesmo até ao dia em que perceberão que o cansado também faz parte da vida e que precisamos todos de trabalhar muito para conseguirmos as coisas necessárias para termos vida minimamente em qualidade.
Porém, fora de brincadeiras, quando se trata da escola salta-nos à vista o cansaço que eles acusam e queixam-se dos professores, dos funcionários, dos testes ou exames e dos trabalhos que lhes são pedidos. Também não surpreende que assim seja.
Surpreende sim o mau ambiente que as escolas têm porque os professores estão a ser mal pagos, os funcionários também e porque falta o material necessário para que a aprendizagem seja feita com o mínimo de qualidade. Tudo isto acontece porque os governos vão se lembrando que é preciso fazer cortes cegos no orçamento da educação.  
Também surpreende que exista violência nas escolas que começa pelo ambiente duro que às vezes existe entre a malta mais nova, mas porque chegam à escola chegam com fome ou porque o ambiente em casa é de cortar à faca porque o pai e a mãe estão desempregados e falta-lhes o dinheiro em casa para manter um lar com dignidade. Briga-se muito por causa de dinheiro, mas briga-se muito mais por causa da falta dele.
Assim sendo, porque há violência nas escolas, suponho, o Ministro da Educação, Nuno Crato, lembrou-se de chamar ao trabalho os militares e toca a colocá-los junto das escolas para vigiarem quem entra e quem sai. Não passava pela cabeça de ninguém uma medida deste teor, mas a inteligência que desgoverna a educação neste momento em Portugal neste momento, lembrou-se e já aprovou no Conselho de Ministros esta «corajosa» e brilhante medida. As fardas verdes dos militares comporão o ramalhete à partida daquilo que se pretende camuflar.
Já imagino os batalhões de tropas estacionados à porta das escolas com metralhadores em punho e quem sabe, pelo andar das coisas porque se trata de violência, vermos também chaimites plantadas em frente das escolas com o canhão apontado lá para dentro onde estão os presentes e futuros criminosos.
Mas afinal que mensagem pretende o governo transmitir com esta ideia maluca? Acha um governo sério que uma escola é um lugar onde se educa ou um campo onde se forma atuais ou futuros criminosos? Mas afinal o que é isto?
Vamos lá todos, sociedade inteira, fazer finca-pé a mais esta ideia louca de um governo maluco que não sabe governar.

domingo, 14 de junho de 2015

No euro não há políticas de esquerda, Jorge Bateira ( 12/6/2015)

No euro não há políticas de esquerda

É difícil aceitar o discurso do sucesso exibido pelos governos e as autoridades da UE perante os recentes números do crescimento na Irlanda, Espanha e Portugal.

O Banco Mundial acaba de prever um abrandamento do crescimento nos países em desenvolvimento. No último “Global Economic Prospects”, afirma que aqueles países “foram o motor do crescimento global a seguir à crise financeira, mas agora enfrentam um ambiente económico mais difícil”, devido à baixa das receitas do petróleo e à subida dos juros da dívida face à previsível subida da taxa de juro nos EUA. Esta conjuntura global torna mais difícil uma recuperação do emprego na UE, uma vez que as suas economias têm procurado adoptar um modelo de crescimento puxado pelas exportações. Philippe Legrain recorda (“The Eurozone’s False Recovery”): “Em 2014, as exportações da zona euro totalizaram 2,6 biliões de euros, mais do que as exportações da China. Dada a frágil procura global, um forte crescimento das exportações é dificilmente alcançável.”
 De facto, é difícil aceitar o discurso do sucesso exibido pelos governos e as autoridades da UE perante os recentes números do crescimento na Irlanda, Espanha e Portugal. Enquanto a Irlanda tira partido da sua particular estrutura produtiva e beneficia do crescimento nos EUA e no RU, no caso de Espanha e de Portugal trata-se de um crescimento medíocre, sobretudo em resultado da suspensão da austeridade. Não por se ter concluído que a política era errada, mas apenas porque se entrou em ano eleitoral, o que contou com a cumplicidade da Comissão Europeia. Nenhuma das causas da presente crise da zona euro foi eliminada, pelo que se trata apenas de uma recuperação temporária, sem efeitos significativos e sustentáveis sobre o emprego.
Mais grave ainda, o bloqueio a uma reforma séria do sistema financeiro global, realizado nos últimos anos pelo lóbi finança-partidos nos EUA e na UE, preservou os mecanismos de especulação agressiva que conduziram à crise de 2008. A recente demissão da gestão de topo do Deutsche Bank é apenas um sintoma de que um novo episódio da grande crise financeira vem a caminho (ver Nouriel Roubini, “The Liquidity Time Bomb”). Mesmo que seja conseguido um acordo de última hora entre a Grécia e a UE, sobram fortes razões para pensar que as taxas de juro da periferia da UE acabarão por disparar para valores insuportáveis. Estaremos então condenados, na periferia da UE, a viver em permanente austeridade, de resgate em resgate? Quem ainda acredita que, para pôr fim ao desastre, basta colocar no governo um partido da oposição à austeridade, não percebeu mesmo nada do que está em causa nesta crise.
Na encruzilhada em que nos encontramos, e à luz do processo negocial Grécia-UE, apenas nos resta uma solução radical, quer dizer, uma solução que vá à raiz do problema da periferia da zona euro. Se a crise não pode ter uma solução no quadro de uma democracia federal (solução que rejeito), com a institucionalização de impostos europeus e volumosas transferências orçamentais para as periferias, mas também o consequente desaparecimento dos Estados soberanos, então só resta a ruptura. Mesmo que a Grécia aceite um acordo que não ultrapasse alguma das suas “linhas vermelhas”, permanecerá nas teias de um sistema que não permite ao governo promover o desenvolvimento do país. A insuficiência dos resultados das políticas que lhe serão permitidas e o desencanto com o Syriza, que acabará por crescer, liquidarão esta esquerda grega que pretendia mudar a UE por dentro. Neste sentido, Merkel é mais inteligente que Schäuble.
Na zona euro, o obstáculo maior à política económica de um governo progressista reside na livre circulação de capitais e na integração do país num sistema bancário supranacional que financia bolhas do imobiliário e outros activos, fazendo crescer as importações e o endividamento externo privado. Para eliminar este endividamento, um governo da zona euro não dispõe da desvalorização cambial, um mecanismo eficaz e socialmente mais acomodável. Fica limitado à chamada “desvalorização interna”, a criação de desemprego para baixar salários, desse modo aumentando um pouco a competitividade das exportações e reduzindo a procura de bens importados. Assim, dentro do euro, não há lugar para políticas de esquerda. O europeísmo de esquerda é um logro.

Vejam... Cavaco tem o ego cheio!



Cavaco tem o "ego cheio" , ganhou quatro eleições com mais de 50 por cento, o que quanto a mim diz muito do povo que o elegeu... e por isso também acho que não vale queixarmo-nos muito e "gostar " destas avestruzes...

terça-feira, 9 de junho de 2015

Passos Coelho a apelou á emigração mais que uma vez e agora diz que esse apelo foi "mito urbano"...

Um Primeiro Ministro mentiroso é sempre triste, mas já é habitual....

E o senhor Bilderberg português passa a ser Durão Barroso...




Por aqui nunca tivemos dúvidas do papel de Durão Barroso... serviu a guerra do Iraque acolhendo a cimeira dos Açores ( já ninguém fala disso, por aqui não esquecemos), teve um prémio, foi para a Comissão Europeia, e provou que uma ratazana pode chegar longe nos tempos indecentes que correm. depois foi solidário com as políticas de Merkel da austeridade transformadora de sociedades ( sempre no retrocesso, claro) e claro foi recompensado: substitui Pinto Balsemão como sendo anfitrião permanente português nas reuniões do Clube Bilderberg ( agora já só são semi secretas...) . A sua missão de ratazana do capital continua...

sexta-feira, 5 de junho de 2015

A caminho da próxima crise...

Resultado de imagem para tempestade

As taxas de juro perto do zero, o regresso ao sistema de emprestar primeiro e perguntar depois, a obsessão da conversa dos défices excessivos, a enorme dívida ( privada, amigos não se fala dela) , a recusa em renegociar as dívidas, o euro ( essa moeda que esmaga as pequenas economias), o caminho de desvalorização de salários ( que comprometem a Seg Social) que comprometem o consumo, a precariedade como regra, as entregas massivas de dinheiro público à banca, tudo nos faz caminhar para a próxima crise....E como gostava de estar enganado...

Somos felizes e não sabemos, RAP